Antropoceno: somos uma força planetária

Exposição Principal
Antropoceno / Foto: César Barreto

Por Thaís Cerqueira*

As sociedades humanas sempre alteraram os lugares do planeta onde se desenvolveram. Durante milhares de anos esses impactos eram localizados, não chegando a transformar profundamente as macroestruturas, como a atmosfera. Mas esse cenário mudou, e desde 1950 alteramos mais o planeta do que em toda nossa existência de 200 mil anos. 

Estamos no Antropoceno, a “Época dos Humanos”, um novo momento na história da Terra. A parte central da Exposição Principal do Museu do Amanhã trata dessa fase em que estamos, marcada pela força planetária humana. Seis totens, com dez metros de altura cada, apresentam um vídeo com dados atualizados em tempo real das principais causas do Antropoceno. O aumento da população mundial, a quantidade de resíduos tóxicos no meio ambiente e o consumo de carne e a produção de barris de petróleo são algumas dessas informações. Itens que fazem o visitante refletir sobre suas próprias ações e a relação delas com o mundo. 

– A ideia de Antropoceno, quando bem compreendida, mexe com as pessoas. Não é por acaso que o termo está se tornando tão difundido a nível global. As palavras ganham força social na medida em que ajudam a esclarecer dilemas fundamentais vividos em cada momento da história. A reação positiva do público aos totens do Antropoceno mostra que é possível, por meio de uma experiência forte e condensada, perceber a escala das mudanças que estamos vivendo – afirma o historiador ambiental José Augusto Pádua, um dos consultores do Museu do Amanhã. 

Para aprofundar essa percepção e entender melhor as causas e efeitos dessa nova época geológica, no interior dos totens existem quatro cavernas que aprofundam os temas correlatos ao Antropoceno: Expansão Humana, Impacto Global, Crescimento da Compreensão e a Grande Aceleração. 

A Grande Aceleração, um dos indicadores do Antropoceno, acontece a partir do século XIX, em que ocorre um enorme crescimento da população e da produção econômica, notadamente a partir da introdução crescente dos combustíveis fósseis e da tecnologia industrial. 

Antropoceno é um termo formulado por Paul Crutzen, Prêmio Nobel de Química nos anos 2000. O prefixo “antropo” significa humano e o sufixo “ceno” denota períodos geológicos. Porém, o termo ainda não foi formalizado pela comunidade científica. 

Segundo Pádua, existem duas dimensões importantes que devem ser levadas em consideração nesse debate. Uma delas é a classificação formal das eras, períodos e épocas na história da Terra, assunto que foi debatido no congresso da União Internacional de Ciências Geológicas em 2016, que optou por adiar uma definição oficial sobre a existência do Antropoceno. Já a outra condição é bem mais ampla, e se refere à busca por novos conceitos que auxiliem a entender as enormes transformações que estamos vivendo nas relações entre a humanidade e o planeta.

– Do meu ponto de vista, esse segundo aspecto é mais relevante, sem desmerecer o trabalho minucioso dos geólogos. Algumas das mudanças fundamentais na análise do Antropoceno, por exemplo, ocorrem no campo da biodiversidade, dos seres vivos. Por isso a questão é urgente, pois envolve um equacionamento da condição atual e futura da humanidade. Não podemos continuar agindo como se a escala da presença humana no planeta não tivesse mudado de forma radical – disse Pádua. 

*Thaís Cerqueira é da equipe de Conteúdo do Museu do Amanhã