Seminário avalia os resultados da COP21

Observatório do Amanhã
Seminário no auditório do Museu debate os resultados da COP21 / Foto: Marcos Tristão - Museu do Amanhã

Protagonismo brasileiro no acordo do clima, firmado durante a COP21, foi destacado pela ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira em evento realizado pelo Museu do Amanhã.

Por Davi Bonela *

O Brasil representa 2,4% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que é pouco, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que participou, na última sexta-feira (4), de um evento realizado pelo Museu do Amanhã e o Observatório do Clima para debater o resultado da COP21. Na conferência realizada em Paris no final do ano passado, foram aprovadas medidas que passam a valer em 2020 para quase 200 países com o objetivo de frear o aumento da temperatura média do planeta até 2100, mantendo-o em até 2ºC em relação à era pré-industrial, se possível em 1,5ºC.

- É importante entender que a nossa contribuição na redução da emissão não é determinante para o planeta, mas é determinante como indução do comportamento político nesta agenda - ressaltou a Izabella Teixeira.

Para a ministra, o protagonismo brasileiro neste acordo vai além da contribuição apresentada pelo país, que inclui o fim do desmatamento ilegal na Amazônia, a restauração e reflorestamento de milhões de hectares e o aumento do uso de energias renováveis, além da redução da emissão de gases de efeito estufa. A seu ver, esse protagonismo está no fato do Brasil defender que todos os países tivessem o mesmo peso neste acordo, mas que as contribuições de cada um deles estivessem dentro de suas possibilidades econômicas.

O "Acordo de Paris" incorporou tais propostas, e, para a ministra e o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, integrante da delegação brasileira que foi à conferência, o resultado da COP21 significa uma nova agenda do clima.

- Agora cada país tem um voto igual ao outro. O que os Estados Unidos decidem terá que ser igual ao que Santa Lúcia (pequena ilha no Caribe) decide. Países continentais feito Brasil, China ou Índia têm que conversar, discutir e entrar em consenso com a diversidade política e cultural existente no mundo - completou a ministra.

1,5ºC não é pouco

O resultado da COP21 foi bastante comemorado por todos participantes do evento, mas o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, alertou que o aumento de 1,5º C não é pouco.

- Com 1ºC de aquecimento global, sendo que a maior parte deste aquecimento aconteceu nos últimos trinta anos, os Estados Unidos tiveram mais de 1 trilhão de dólares de prejuízo em 188 eventos extremos, com prejuízos acima de 1 bilhão de dólares cada um - ressaltou.

Segundo Rittl, este aumento de temperatura também causou estragos no Brasil e a frequência com que ocorrem também está aumentando.

- Entre 1991 e 2012, tivemos quase 39 mil desastres naturais que levaram nossos municípios a decretarem situação de emergência e calamidade pública; desastres naturais associados ao clima extremo, como inundações, secas, deslizamentos de terra. No ano passado, tivemos 1.592 municípios brasileiros em situação de emergência e calamidade pública em função destes desastres. Só neste ano, já são 200 municípios - completou.

O clima não espera

Para o embaixador da França no Brasil, Laurent Bili, o Acordo de Paris define meios para o seu objetivo ser alcançado, entre eles, as contribuições nacionais, a noção de diferenciação e o compromisso dos países mais ricos de respeitarem e ultrapassarem o envio de 100 milhões de dólares anuais aos países mais vulneráveis para ajudá-los a enfrentar as mudanças climáticas. Mas o embaixador vê neste acordo o começo do trabalho, e não o fim.

- Já que 2015 foi o ano de negociações e mobilizações, 2016 deverá, então, ser um ano-chave de ação e aplicação. Pois seria um erro acreditar que nos resta muito tempo para nos prepararmos para a implementação do acordo - ressaltou Bili.

E o clima não espera. 2015 foi o ano mais quente desde 1880, quando a NASA e o departamento de medições oceânicas e atmosféricas americano, o NOAA, iniciaram a medição da temperatura global. E janeiro de 2016 já foi o mais quente de todos esses meses também.

* Davi Bonela é pesquisador do Observatório do Amanhã.