Nós: o amanhã acontecendo agora

Exposição Principal
Exposição Principal - Museu do Amanhã / Foto: Raul Aragão

Por Thaís Cerqueira*

Neste momento, o Sol está nascendo no Leste, então o amanhã está acontecendo em algum lugar. Essa é a essência do amanhã, esse contínuo renovar. Um renovar que se repete, mas sempre de forma diversa. O último momento da Exposição Principal do Museu do Amanhã encerra com o exercício da imaginação na área “Nós”, que traz uma experiência bastante diferente dos momentos anteriores. Se no decorrer de toda a exposição o visitante lida com muita informação, no “Nós” ele se depara com um momento muito mais sensorial, intuitivo, imaginativo e sensível. 

- Temos o entendimento que a visitação no museu deve acontecer de um modo análogo à experiência de escutar uma música. Na música, temos momentos mais lentos, outros mais rápidos, alguns podem ser mais densos ou tranquilizantes, ou seja, a experiência da exposição deve trazer essa variedade de estados de espíritos, sensações e percepções bem distintas - lembra o curador do Museu, Luiz Alberto Oliveira. 

“Nós” traz uma oca dotada de um sistema de sensores, que acionam sons e diferentes padrões luminosos conforme o espaço é ocupado pelos visitantes. A oca de “Nós” simboliza uma casa ancestral, herança indígena comum de todos nós brasileiros, representando o lugar onde se dá a continuidade da cultura.

- A ideia foi fazer algo inspirado em uma oca dos índios brasileiros, que é o lugar onde se dá a transmissão da cultura. Os diferentes clãs da tribo se reúnem nessa casa coletiva, e é ali, durante as cerimônias, que os mais antigos relatam para os mais novos as lendas, histórias, narrativas e os mitos que compõem aquela cultura - ressalta Luiz Alberto. 

Esse último momento traz o único objeto físico do acervo do museu, o churinga, objeto dos aborígenes australianos que simboliza exatamente aquilo que o museu pretende se tornar: uma via de conexão entre o passado e o futuro, um dando continuidade ao outro. 

- Precisamos entender o presente não como um momento passageiro, entre um passado já dado e um futuro à nossa espera, mas como esse local de conexão onde o passado desagua e de onde o futuro desabrocha - finaliza o curador.

*Thaís Cerqueira é da equipe de Conteúdo do Museu do Amanhã