O planeta amanhã

Exposição Principal
Amanhãs - Planeta (uma parte da exposição principal) que inclui telas interativas  / Foto: Bernard Lessa

Por Thaís Cerqueira*

Quais são os amanhãs possíveis para o nosso planeta? Diante de mudanças profundas que estamos causando na Terra, pensar os cenários futuros para o clima e vida não é simples.  “Amanhãs - Planeta” é o momento da exposição principal que leva o visitante a questionar que planeta teremos nos próximos anos. Traz consigo uma mensagem principal: o que vai acontecer depende do que estamos fazendo hoje. Energia, clima, biodiversidade e oceanos são os principais temas abordados nesta área.

Jogo das Civilizações 

Com o Jogo das Civilizações, baseado num modelo estudado pela NASA, o visitante tem a oportunidade de tomar decisões planetárias que afetam o clima, a biodiversidade, as populações e as cidades. O mais interessante é que a decisão de um jogador influencia na estabilidade social e na sustentabilidade do planeta. Em resumo, as escolhas de um influenciam no resultado de todos. O jogo de perguntas e respostas, uma grande atração do Museu, pode ser acessado por quatro pessoas ao mesmo tempo.

Oceanos 

A população do planeta já chegou a mais de sete bilhões de habitantes. Cada indivíduo que nasce demanda mais recursos naturais da Terra, que já está saturada. Com isso, a tendência é buscarmos cada vez mais o mar, como forma de ter uma sobrevida em termos de recursos naturais, afirma o oceanógrafo David Zee, um dos consultores do Museu do Amanhã. Os oceanos são uma fonte imensa de produção de oxigênio, de fixação de gás carbônico (CO2) e de produção de alimentos. 
 
- Precisamos conhecer melhor os oceanos, a dinâmica marinha, seus recursos naturais e suas limitações. Com pesquisas mais aprofundadas poderemos perpetuar esse serviço que a natureza nos oferece nas próximas gerações. Entendendo a dinâmica de vida dos oceanos podemos evitar que os erros que cometemos em terra se repitam no mar - ressalta David Zee. 

Com as alterações que o planeta vem sofrendo no Antropoceno nos tornamos uma ameaça também à vida nos oceanos. Com o aquecimento global, os mares estão aumentando sua temperatura, mesmo que de forma mais lenta do que na atmosfera, devido à alta capacidade térmica da água. Justamente por conta dessa característica, o oceano é um grande regulador do sistema climático, reduzindo as diferenças de temperatura e atenuando os extremos climáticos na Terra. 

- O aumento da temperatura e da acidez da água do mar, alterações que podem parecer pequenas inicialmente, mas não são, acarretam diversos malefícios na cadeia de seres vivos dos oceanos, causando a morte de recifes de corais, entre outras coisas. Com isso, esse elemento tão importante da vida marinha, que é responsável por fazer a digestão de matéria orgânica tornando a qualidade da água equilibrada, está bastante ameaçado - alerta o oceanógrafo. 

Energia

Aliar geração de energia com desenvolvimento sustentável é um desafio. Segundo o engenheiro Neilton Fidelis, um dos consultores do Museu do Amanhã, essa é uma possibilidade que vai exigir uma série de mudanças, que vão desde alterações profundas no sistema de produção, quanto na quebra de uma série de paradigmas da nossa sociedade, como a tese de que a felicidade passa necessariamente pelo consumo. 

Atualmente, a utilização dos combustíveis fósseis, grandes vilões do efeito estufa - mas não únicos - tem diminuído no mundo. As fontes renováveis vão ter cada vez mais um papel importante na substituição total ou parcial dos antigos modelos. Essa substituição dos combustíveis fósseis é impulsionada por alguns fatores: a restrição do acesso ao petróleo e até mesmo a pressão da sociedade pela utilização de fontes renováveis, como a energia solar, as biomassas, a eólica e a advinda das ondas. 

- O desafio está além de optar por fontes de energia renovável, o que já não é tarefa simples. Temos que mudar também o acesso da população mundial à energia, já que a sua distribuição ainda é muito desigual: 1 bilhão e 400 mil pessoas não tem acesso à energia elétrica no mundo - destaca Fidelis. 

Dados do relatório do World Energy Outlook mostram que o consumo residencial de eletricidade da África Subsaariana, excluindo a África do Sul, é aproximadamente o consumo da cidade de Nova York. Em outras palavras, os 19,5 milhões de habitantes de Nova York consomem em um ano quase a mesma quantidade de eletricidade que as 791 milhões de pessoas da África Subsaariana.

*Thaís Cerqueira é da equipe de Conteúdo do Museu do Amanhã