Os Amanhãs possíveis para se conviver em sociedade

Exposição Principal
Área "Amanhãs" com painéis de interação / Foto: Bernard Lessa

Por Thaís Cerqueira*

Para onde vamos? Essa é a pergunta que norteia os “Amanhãs”, momento da Exposição Principal em que somos inspirados a pensar sobre o futuro – que está sendo construído a todo o momento, inclusive agora.  A área evidencia as grandes tendências globais e leva o visitante a refletir sobre os muitos amanhãs possíveis, sobre como nós, seres humanos, temos o desafio de construir os melhores caminhos a seguir.

Um imenso “origami” dividido com três grandes temáticas – Sociedade, Planeta e Humano – trazem estimativas e projeções com as tendências que vão moldar o futuro nas próximas décadas: Mudanças Climáticas, aumento da população mundial, a integração e diferenciação dos povos, regiões e pessoas, alteração dos biomas, aumento do número, da capacidade e da variedade de produzir artefatos e a tendência à expansão do conhecimento.

Pegada Ecológica

População, longevidade, consumo, cidades e identidades/diversidade são os assuntos aprofundados nos interativos na área dedicada à Sociedade.  E com o jogo da Pegada Ecológica, o visitante pode descobrir o impacto de suas escolhas, como o meio de transporte que usa ou a quantidade de carne que consome, sobre os recursos naturais do planeta. O jogo mostra quantos planetas Terra precisaríamos para sustentar nosso estilo de vida.

Cidades 

No futuro cada vez mais pessoas viverão em cidades.  Atualmente metade da população mundial habita as cidades, e a tendência é que em 2050 quase 70% das pessoas compartilhem esse ambiente de trocas e interação social e cultural. Com isso, alguns dos problemas e tensões de hoje tendem a se acentuar. Segundo o filósofo Rogério da Costa, um dos consultores do Museu do Amanhã, toda a revolução tecnológica que estamos vivendo deveria dialogar com o maior desafio das cidades do futuro: a habitação. As megacidades – aglomerados urbanos gigantescos – tendem a se intensificar, e com elas a concentração de pobreza, falta de estrutura, e problemas ambientais. 

– Os gestores das cidades do futuro deverão lidar não apenas com os problemas de seus habitantes locais, mas também com a forte tendência mundial de migração e imigração. O fenômeno da migração, ligado tanto aos problemas climáticos quanto aos fatores de zonas de conflitos, continuará pressionando fortemente as estruturas das cidades, de tal forma que soluções de rápidas parecem muito distantes atualmente – alerta Rogério. 

Com o crescimento da população, cada vez mais é necessário adotar hábitos racionais de utilização dos recursos naturais no ambiente urbano. Algumas cidades de menor expansão já provaram que é possível ser sustentável. Mas quanto maior a população de uma cidade, maior a complexidade do processo. Avanços passam por acordos com o setor industrial e estão diretamente ligados ao poder de financiamento dos governos, que, por sua vez, devem estar comprometidos politicamente com sua população.

– O cenário mais provável é aquele no qual teremos algumas cidades mais sustentáveis, num extremo, e outras ainda em situação semelhante ao início do século XX. O ponto crítico continuará sendo aquele em que os países com cidades sustentáveis deslocaram suas indústrias não sustentáveis para países em desenvolvimento, por conta dos custos de produção – afirma Rogério. 

Longevidade

Na maior parte do mundo estamos vivendo mais e viveremos cada vez mais. A realidade é que temos 30 anos de vida a mais do que nossos avós. O Brasil experimentará um aumento maciço de pessoas idosas, além de um prolongamento da expectativa de vida. O mundo vai ser muito diferente daquele que estamos habituados, e para se adaptar, a sociedade tem que passar por diversas mudanças. Segundo o médico Alexandre Kalache, especialista em gerontologia e um dos consultores do Museu do Amanhã, na verdade, estamos vivendo uma revolução – mudança profunda e inesperada, a partir da qual a sociedade nunca mais será a mesma. 

– Uma criança nascida em 1950 no Brasil teria uma expectativa de vida de 50 anos em média, hoje ela tem próximo a 76 anos, ou seja, 26 anos a mais de vida. Diante disso, a sociedade brasileira tem que se conscientizar que para envelhecer bem, é necessário se preparar radicalmente – lembra Kalache. 

O processo de envelhecimento no Brasil está acontecendo de forma muito rápida, mesmo em um contexto de desigualdade e pobreza. O Canadá, por exemplo, tem o dobro da proporção de idosos do Brasil: 25%. Em 2050, o Brasil vai ultrapassar esse número e terá mais de 30%. 

– Os países desenvolvidos primeiro enriqueceram para depois envelhecer. Já o Brasil envelhece ainda enfrentando problemas graves como a miséria, milhões de desempregados, quadro que se agravou com a crise financeira, ausência de estrutura nas cidades, falta de alimentação adequada, entre outros fatores – ressalta o médico.

*Thaís Cerqueira é da equipe de Conteúdo do Museu do Amanhã