Perimetral

Exposição

Titulo

Perimetral

Perimeter

Subtítulo

vida e morte urbana

urban life and death

Descrição

Por decisão do prefeito Eduardo Paes, a partir de 2013 as toneladas de concreto e aço foram ao chão. Sua queda virou tema da exposição temporária “Perimetral”, no Museu do Amanhã, com a curadoria do artista Vik Muniz e diretoria artística de Andrucha Waddington

By order of Mayor Eduardo Paes, the tons of concrete and steel fell to the ground starting in 2013. Their fall became the subject of the temporary exhibition "Perimetral" at the Museu do Amanhã, curated by artist Vik Muniz and with artistic direction by Andrucha Waddington

Espaço / Local

Exposição Temporária

Texto

Uma veia nervosa de concreto foi extinta da região central do Rio de Janeiro, que volta a contemplar a Baía da Guanabara. Batizado oficialmente com o nome do ex-presidente do Brasil Juscelino Kubitschek, o Elevado da Perimetral passou, em questão de décadas, de marco urbanístico a monstrengo de cimento no meio da metrópole Sua demolição incitou um “Fla-Flu” ferrenho. Muitos criticavam a construção e queriam seu fim. Ao mesmo tempo, outros eram contra a derrubada, por medo de que o trânsito carioca desse um nó ainda maior Não teve jeito. Por decisão do prefeito Eduardo Paes, a partir de 2013 as toneladas de concreto e aço foram ao chão. Sua queda virou tema da exposição temporária “Perimetral”, no Museu do Amanhã, com a curadoria do artista Vik Muniz e diretoria artística de Andrucha Waddington. Ex-símbolo O gigante sinuoso de aço e cimento começou a ser planejado na década de 1940, quando o Rio ainda era a capital do Brasil e já dava indícios de que, anos depois, sentiria os reflexos do aumento da frota automotiva O projeto saiu do papel em 1957 e a primeira parte do viaduto, interligando as avenidas General Justo e Presidente Vargas, foi inaugurada em 1960. O restante da Perimetral, da Praça Mauá até a Ponte Rio-Niterói, foi erguido ao longo de 18 anos e finalmente entregue em 1978. Mais de três décadas após os primeiros rascunhos do projeto, a Zona Sul carioca estaria ligada a dois dos principais acessos ao Rio - a Ponte e a Avenida Brasil O atraso não impediu que a obra se tornasse, na época, símbolo da integração da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e via de extrema eficiência - A Perimetral acompanhou outros modelos correlatos no mundo de vias urbanas suspensas, voltadas a automóveis. Não havia ainda o predomínio do conceito de integração de modais, tal como hoje se afirma, e tampouco a preocupação com a sustentabilidade ambiental - afirma Paulo Knauss, professor de história da Universidade Federal Fluminense (UFF). - É um símbolo de outra época Novos tempos A ideia de dar fim à Perimetral não é nova. Surgiu com o ex-prefeito Luiz Paulo Conde (mandato de 1997 a 2001). Mas foi com a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016 que o plano de “matar” a via foi posto em prática. Um novo projeto viário foi desenvolvido em 2009 e licitado em 2010. Obras que substituiriam o tráfego pesado da Perimetral, como a Via Binário, foram feitas para que o viaduto fosse demolido Alberto Gomes, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), considera a queda da Perimetral um ponto de virada para que, segundo ele, as pessoas soubessem que a prioridade agora era a qualidade de vida em detrimento do transporte individual - Foi um elemento de transformação da cidade, levando luz a locais que permaneciam escondidos até então. Estamos vendo resultados dessa demolição e revitalização já com a construção da Praça Mauá - explica. - A demolição da Perimetral é o recado do Rio para o resto do mundo de que é possível urbanizar de maneira sustentável Para Knauss, é preciso tempo para ver, na prática, a expectativa de um modelo de urbanismo “onde as funções convivem lado a lado” na região portuária, ou seja, áreas comuns de trabalho, lazer e residência. O historiador cita ainda a preocupação com a gentrificação, fenômeno social que acomete grandes cidades que passam por obras de infraestrutura - Ainda precisamos aguardar para saber se as reformas urbanas atuais representam uma nova forma de pensar e estruturar a cidade ou se vamos continuar a assistir à expansão do modelo de exclusão social, que vai empurrando o indesejável para outras áreas mais distantes e cria melhores condições para expansão do capital imobiliário - diz Knauss

A concrete vein has been extinguished in downtown Rio de Janeiro, which once again overlooks Guanabara Bay. Officially named after former Brazilian president Juscelino Kubitschek, the Perimetral Elevated Highway went from being an urban landmark to a massive cement monstrosity in the middle of the metropolis in a matter of decades Its demolition sparked a fierce "Fla-Flu" protest. Many criticized the construction and called for its demolition. At the same time, others opposed its demolition, fearing that it would further congest Rio's traffic There was no way around it. By order of Mayor Eduardo Paes, starting in 2013, the tons of concrete and steel fell to the ground. Their fall became the subject of the temporary exhibition "Perimetral" at the Museuu do Amanhã, curated by artist Vik Muniz and with artistic direction by Andrucha Waddington Former symbol The winding giant of steel and cement began to be planned in the 1940s, when Rio was still the capital of Brazil and already showed signs that, years later, it would feel the effects of the increase in the automobile fleet The project came to fruition in 1957 and the first part of the viaduct, connecting General Justo and Presidente Vargas avenues, was inaugurated in 1960. The rest of the Perimetral, from Praça Mauá to the Rio-Niterói Bridge, was built over 18 years and finally delivered in 1978. More than three decades after the first drafts of the project, Rio's South Zone would be connected to two of the main accesses to Rio - the Bridge and Avenida Brasil The delay did not prevent the project from becoming, at the time, a symbol of the integration of the Metropolitan Region of Rio de Janeiro and a highly efficient route. "The Perimetral followed other related models in the world of suspended urban highways, geared toward automobiles. The concept of modal integration, as it is today, was not yet prevalent, nor was there concern for environmental sustainability," says Paulo Knauss, history professor at Fluminense Federal University (UFF). "It's a symbol of another era" New times The idea of dismantling the Perimetral Highway isn't new. It originated with former mayor Luiz Paulo Conde (1997-2001). But it was with Rio's election as the host city for the 2016 Olympics that the plan to "kill" the highway was put into practice. A new road project was developed in 2009 and put out to tender in 2010. Projects that would have replaced the Perimetral's heavy traffic, such as the Via Binário, were designed to eliminate the viaduct Alberto Gomes, president of the Urban Development Company of the Port Region of Rio (Cdurp), considers the fall of the Perimetral a turning point so that, according to him, people knew that the priority was now quality of life over individual transport "It was a transformative element for the city, bringing light to places that had remained hidden until then. We're already seeing the results of this demolition and revitalization with the construction of Praça Mauá," he explains. "The demolition of the Perimetral is Rio's message to the rest of the world that sustainable urbanization is possible`` For Knauss, it takes time to see, in practice, the expectation of an urban planning model “where functions coexist side by side” in the port region, that is, common areas for work, leisure and residence. The historian also mentions concerns about gentrification, a social phenomenon that affects large cities undergoing infrastructure projects "We still need to wait to see whether the current urban reforms represent a new way of thinking about and structuring the city, or whether we will continue to witness the expansion of the social exclusion model, which pushes the undesirable to other, more distant areas and creates better conditions for the expansion of real estate capital," says Knauss

thumbnailUrl

https://museu-do-amanha.s3.sa-east-1.amazonaws.com/044637174b51b31f0a02853850939cff.jpeg

Data Inicial

2015-12-19

Data Final

2016-03-13

Classificação

Classificação livre