Cidades devem ser reimaginadas para mudança demográfica global

Observatório do Amanhã
Longevidade nas Cidades | Foto: Pixabay

Por Henrietta L. Moore*

O mundo atual está passando por uma mudança demográfica inédita. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, antes de 2020, a proporção de idosos de mais de 65 anos de idade na população global será maior do que a de crianças com menos de cinco anos. Na Europa, a expectativa de vida está aumentando cinco horas por dia. Além disso, 3 milhões de pessoas se mudam para as cidades a cada semana, com as atuais projeções sugerindo que até 2050 haverá um aumento global nas populações urbanas de 2,5 bilhões de pessoas. Esses fatores, combinados com a crescente realidade das mudanças climáticas, apresentam um enorme desafio para os atuais modelos econômicos para cidades sustentáveis.

As cidades têm sido pioneiras do crescimento econômico, assim como importantes centros de inovação e transformação. Frequentemente são vistas como o estágio máximo de desenvolvimento. Porém, elas ainda têm um longo caminho a percorrer na transição para uma economia pós-combustíveis fósseis.

Há gerações o objetivo principal dos formuladores de políticas tem sido atingir o crescimento econômico a qualquer preço. Desde o colapso financeiro em 2008, o ímpeto geral da política é retornar ao maior crescimento o mais rápido possível. No entanto, o crescimento econômico e material não significa necessariamente o progresso social. Se quisermos produzir valor social, o crescimento e o desenvolvimento precisam ser discutidos em termos qualitativos e não em quantitativos.

Não podemos mais definir prosperidade simplesmente em termos econômicos. Não se trata apenas de riqueza e crescimento econômico ou do Produto Interno Bruto (PIB). A prosperidade inclui o bem-estar e a saúde da sociedade e das relações sociais. Abrange cidadãos educados e satisfeitos, que tenham escolhas e liberdade. Mas, como a prosperidade das cidades vai parecer no futuro quando ocorrer a grande mudança demográfica que falávamos antes? A população idosa vai transformar nossas economias e os sistemas de assistência social, criando novos estilos de vida à medida que as pessoas vivem mais. Como isso vai afetar as cidades do futuro?

As cidades do futuro vão precisar de uma nova abordagem na atenção à saúde, uma que esteja incorporada na sustentabilidade ambiental e da população. Uma área onde existe um enorme espaço para melhoria é a de produção e distribuição de alimentos. Nos dias de hoje, praticamente todos os alimentos que consumimos nas cidades são produzidos por técnicas agrícolas industriais, muito distantes das cidades. E isso é ruim para a sustentabilidade ambiental e pode limitar as opções para muitos habitantes das cidades mais idosos e mais pobres. Muitas cidades se transformaram em “desertos alimentares”, ou seja, cidades onde muitos cidadãos não têm acesso a legumes e verduras frescas. 
A agricultura urbana é um meio de as cidades obterem alimentos frescos e baratos, e muitas já estão fazendo experimentos com agricultura vertical. Em Berlim, na Alemanha, alguns supermercados já estão equipados com pequenas “fazendas verticais” que cultivam e exibem as hortaliças. Iniciativas como essas permitem que as “fazendas urbanas” cultivem legumes e verduras a preços moderados e em locais de fácil acesso para todos. A segurança alimentar das cidades do futuro, onde muitos habitantes estão na faixa etária de 65 anos, vai constituir um desafio constante. Nos Estados Unidos, a cidade de Detroit – antes um famoso deserto alimentar –, hoje tem centenas de fazendas urbanas que estão ‘brotando’, não só fornecendo renda e alimentos em áreas empobrecidas, mas também reinventando a cidade como uma “paisagem comestível” que oferece espaços verdes para o lazer e também oportunidades para a mobilidade física e boa saúde através do cultivo dos seus próprios alimentos. Todas essas mudanças têm o potencial de transformar as atuais relações entre o solo, os produtores e os consumidores.

Nas próximas décadas, o aumento da população e da longevidade será acompanhado de uma crescente solidão, que constitui outro desafio a ser enfrentado pelas nossas cidades, já que a mudança demográfica transforma as estruturas familiares. Algumas soluções atuais podem oferecer um avanço: em Londres, na Inglaterra, há uma escassez habitacional comprovada. Como resultado, espaços de convivência comunitária – co-living – são opções para quem procura uma moradia. Atualmente, um desses locais abriga mais de 500 pessoas: elas possuem quartos privativos, mas compartilham cozinhas, jardins, cinemas, um spa, uma academia e espaços de trabalho. Em um aspecto, esta é a economia de compartilhamento aplicada à habitação. As cidades do futuro precisam ser reinventadas como uma série de ecologias econômicas, sociais e culturais que se importam com as pessoas por meio da sustentabilidade do local.

*Henrietta L. Moore é diretora do Instituto para Prosperidade Global e coordenadora de Cultura, Filosofia e Design na University College London.

 
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