Inspira Ciência

Educativo
O que há em comum nas revoluções da ciência? Foto: Guilherme Leporace
O que há em comum nas revoluções da ciência? Foto: Guilherme Leporace
O que há em comum nas revoluções da ciência? Foto: Guilherme Leporace
O que há em comum nas revoluções da ciência? Foto: Guilherme Leporace

Das descobertas de Galileu e Einstein, passando pela estrutura das revoluções científicas percebida por Thomas Kuhn até o jogo com o universo nos poemas de Jorge Luis Borges. O primeiro encontro do Inspira Ciência, programa de formação de professores da educação básica promovido pelo Museu do Amanhã e o British Council no último sábado (25/8) foi mesmo inspirador.

Por uma feliz coincidência, o programa começou no mesmo dia em que o Museu do Amanhã atingiu a marca de três milhões de visitantes. O fato motivou os sessenta selecionados entre mais de quinhentos inscritos a participar das palestras do curador do museu, Luiz Alberto Oliveira, e da coordenadora do novo currículo escolar fluminense a partir da Base Nacional Comum Curricular, Lina Vasconcelos. Ambos ressaltaram a importância de construir novos paradigmas para fazer e para ensinar ciências.

Mudar é parte do avanço da ciência  seja fazendo ou ensinando

Inovar, criar, mudar. Essas foram palavras repetidas pelos participantes ao explicar suas intenções em sala de aula. Lecionando em escolas da rede pública e particular de diferentes pontos da cidade, o grupo tem professoras e professores que dão aulas para estudantes que estão no início da vida escolar aos que já fazem suas escolhas para o vestibular. Embora sejam realidades distintas, pelo que disseram, eles têm em comum o desafio de despertar o interesse das crianças e jovens pela ciência.

Luiz Alberto Oliveira introduziu o programa abordando a ciência em si, seus valores e práticas. Tema com o qual os professores são confrontados em sala de aula pela pergunta tão repetida pelos estudantes: para que serve a ciência? A ciência, explicou o curador aos participantes, são processos sociais em contínua construção e desconstrução. São paradigmas, que, como tais, têm protocolos, leis, aplicações, experimentos que sustentam o conhecimento provisoriamente até serem substituídos por outros.

Citado pelo curador durante a apresentação, Thomas Kuhn, em seu clássico A estrutura das revoluções científicas, analisa os mecanismos internos da ciência e percebe que se, por um lado, são nesses paradigmas que a ciência se sustenta, por outro, é no rompimento deles que a ciência avança.

Com esse fio de pensamento, Luiz Alberto mostrou exemplos de Aristóteles, Galileu e Einstein na busca de conhecer as forças que regem o Universo mostrando como o conhecimento de um poderia não existir sem o conhecimento do outro, ainda que seja refutando-o com o seu próprio e novo saber.

Para Lina Vasconcelos, fazer e desfazer práticas à primeira vista definitivas também é fundamental para o avanço da educação. Ela apresentou a Base Nacional Comum Curricular como sendo uma das principais mudanças em curso na educação do país.

Além de explicar os objetivos da BNCC, a sigla pela qual a base é mais conhecida, ela apresentou os eixos já consolidados para o ensino de Ciências, bem como as competências que se espera despertar nos estudantes. Para Lina, introduzir a noção de competências – entre as quais estão o pensamento científico, crítico e criativo – é um caminho para formar estudantes mais atuantes, capazes de compreender melhor o mundo e intervir sobre ele.

Embora encontrem pontos de discordância sobre a base, os participantes reconheceram que inspirar nos estudantes esse sentimento de mudança pode levar a transformações importantes na educação. O primeiro passo já foi dado.

Para colocar as discussões em prática os participantes foram apresentados ao mapa de brotar ideias e estimulados a iniciarem a costura entre os conteúdos abordados em sala de aula e a exposição principal do Museu do Amanhã, por meio de uma caminhada pelo museu, processo que será desenrolado ao longo dos próximos encontros.

Universo, Sistema Solar e Terra são temas do segundo encontro

O próximo encontro do Inspira Ciência ocorre dia 22 de setembro, de 9h às 13h, no Museu do Amanhã. Na ocasião, os participantes poderão aprofundar seus conhecimentos sobre o Universo, o Sistema Solar e o planeta Terra em conversas com o diretor de Astronomia do Planetário do Rio, Alexandre Cherman, e com a pesquisadora do Museu de Astronomia e Ciências Afins, Patrícia Spinelli. Eles também trocarão experiências de ensino e aprendizagem com os educadores do Museu do Amanhã e de professores vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica.

Inspira Ciência

O Inspira Ciência é realizado pelo Museu do Amanhã e o British Council para a construção de um ensino de Ciências vibrante com professoras e professores da educação básica. O objetivo é explorar temas fundamentais em Ciências e criar conexões entre o currículo escolar e o conteúdo do museu por meio de planos que integrem as salas de aula e a exposição principal no ensino de um tema.

Os próximos encontros serão 22 de setembro, 13 de outubro e 10 de novembro, quando um grupo de especialistas apresentará temas organizados nos eixos Universo e Terra, Vida e Biosfera, Humanidade e Cultura. Além dos já citados, os especialistas são o geólogo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Hermínio Ismael, e o físico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, Henrique Lins de Barros. O programa também tem a participação dos educadores do Museu do Amanhã e professores vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica.

Por Davi Bonela e Ademildes Freitas, pesquisador e educador do Museu do Amanhã.
 

O Museu do Amanhã é um museu de ciências aplicadas que explora as oportunidades e os desafios que a humanidade terá de enfrentar nas próximas décadas a partir das perspectivas da sustentabilidade e da convivência. Inaugurado em dezembro de 2015 pela Prefeitura do Rio, o Museu do Amanhã é um equipamento cultural da Secretaria Municipal de Cultura, que opera sob gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). Exemplo bem-sucedido de parceria entre o poder público e a iniciativa privada, o Museu do Amanhã já recebeu mais de 4 milhões de visitantes desde a inauguração. Tendo como patrocinador máster o Banco Santander, a Shell como mantenedora e uma ampla rede de patrocinadores que inclui empresas como IBM, Engie, Lojas Americanas, Grupo Globo e Renner, o museu foi originalmente concebido pela Fundação Roberto Marinho.