Oceano o mundo é um arquipélago

A exposição se ergue em torno dos eixos memória, atenção e antecipação, propondo um diálogo entre a inteligência humana e a inteligência oceânica.

A exposição “Oceano – O Mundo é um Arquipélago” nasce de uma premissa fundamental: a de que a vida, em todas as suas formas, é inteligente e que essa inteligência se manifesta também nas profundezas marinhas. A mostra revisita o oceano como nossa origem, recuperando memórias que nos conectam ao momento em que os primeiros organismos transformaram o planeta e produziram o ar que respiramos. Um convite a experimentar essa ancestralidade por meio de ambientes sensoriais que simulam luz, textura e movimento das águas.

A mostra se desenvolve a partir dos eixos “Memória”, “Atenção” e “Antecipação”, alinhados aos “Sete Princípios da Cultura Oceânica” da UNESCO, que afirmam a existência de um único oceano global até sua influência decisiva no clima, na proliferação de vida da Terra e na diversidade de ecossistemas. Esses princípios tomam forma nas salas expositivas: em “Mergulho”, o público inicia a jornada em um ambiente que busca ativar as memórias de origem e imersão. A sala é quase toda escura, com luz e imagem das águas vinda do alto, para dar a sensação de se estar embaixo d’água.

Já em “Vida”, o público encontra desde organismos microscópicos até espécies gigantes, como o esqueleto de orca de sete metros - cedido à exposição pelo Museu Nacional -, suspenso no salão principal acompanhado por projeções mapeadas da espécie; em “Borda”, o oceano é apresentado em estrutura no teto da sala como um sistema atento, sensível às pressões humanas, cujas respostas — como a elevação do nível do mar — revelam sua inteligência e agência ecológica.

O percurso culmina em “Arquipélago” e “Naufrágio”, espaços que articulam arte, ciência e imaginação para discutir a relação entre a humanidade e o oceano. Enquanto Arquipélago reúne obras contemporâneas que exploram as conexões culturais, simbólicas e afetivas com o mar — entendido como “hidrovia que nos une” em escala planetária —, Naufrágio apresenta um ambiente de instabilidade em que palavras emergem e desaparecem na espuma projetada sobre o piso, representando comportamentos coletivos que precisamos abandonar para construirmos futuros mais sustentáveis. A instalação “Travessia, esforço coletivo” encerra o circuito com a metáfora de que navegar por outros futuros é um gesto necessariamente compartilhado.

A exposição “Oceano – O Mundo é um Arquipélago” tem curadoria de Fabio Scarano,

Camila Oliveira e Caetana Lara Resende.

Para auxiliar na visita à exposição, clique no PDF abaixo

Exposição OCEANO - Textos na íntegra em português.pdf