Em diálogo com a exposição Oceano, no Museu do Amanhã, convidamos o artista PV Dias para o primeiro Laboratório Aberto. Amazônida e doutorando em Ciências Sociais (UFRRJ), PV trabalha com arquivos históricos para criar fabulações críticas e rasuras de narrativas em territórios colonizados.
Neste trabalho de PV, a noção de “cochicho” (termo de origem Bantu), curado por Ana Paula Rocha, Janaína Damaceno e Paulo Costa ao trabalho de PV, é definido por Nei Lopes como uma tecnologia de sobrevivência de corpos escravizados e dissidentes. Esse processo que PV propõe com a oficina reorienta o gesto de contar o arquivo: deslocando o que foi fixado na memória coletiva, ativando o que foi silenciado, produzindo outras leituras do visível.

Pv Dias
As invasões da colonização e a modernização dos fluxos marítimos deixaram marcas sensíveis também no ecossistema da Baía de Guanabara. Há estudos que associam o ruído das embarcações, intensificado ao longo do século XIX, com o estresse da população de botos que viviam na região. Esses animais, que se comunicam através de um sistema complexo de sons subaquáticos, começaram a “gritar” mais para se comunicar, resultando em estresse na população marítima e sendo um fator simbólico para o declínio do boto-cinza (Sotalia guianensis) na região da Baía de Guanabara.
Entre memória, atenção e antecipação, PV propõe uma prática que transforma afetos e repertórios urbanos em imagem: um exercício de aproximação entre litorais, capaz de unir paisagens e alargar horizontes. Criando, na dinâmica da oficina junto aos participantes, visualidades que impactam.