Baía em Movimento Um Ecossistema que Resiste

16/12/2022
Esta exposição convida o público a olhar para a Baía de Guanabara como um território vivo, em constante transformação. Entre a terra e o mar, a baía abriga ecossistemas diversos e sustenta uma intensa presença humana.

O AMBIENTE E AS ESCOLHAS HUMANAS

Sua geografia protegida favoreceu, ao longo do tempo, a ocupação urbana e o desenvolvimento de cidades, portos e atividades econômicas, tornando-a um espaço estratégico tanto do ponto de vista ambiental quanto social. Os conteúdos apresentados nesta exposição mostram como o crescimento urbano acelerado ao redor da Baía de Guanabara ocorreu sem o equilíbrio necessário entre desenvolvimento e cuidado ambiental. Ao longo de décadas, o lançamento de esgoto sem tratamento, o descarte inadequado de resíduos e a supressão de áreas naturais comprometeram a qualidade das águas e afetaram profundamente a biodiversidade. A baía passou a refletir as contradições de um modelo de ocupação que expandiu as cidades, mas ignorou os limites do ambiente natural. As tentativas de recuperação, muitas vezes interrompidas ou incompletas, revelam que os impactos observados hoje são resultado de decisões acumuladas ao longo do tempo, feitas em diferentes pontos do território.

UM ECOSSISTEMA QUE RESISTE

Apesar das transformações e dos impactos, a Baía de Guanabara permanece viva. Esta exposição destaca a presença de espécies marinhas, a importância dos manguezais e as múltiplas iniciativas de pesquisa, conservação e mobilização social que atuam em defesa desse ecossistema. A baía também é espaço de trabalho, cultura e identidade para comunidades que mantêm uma relação direta e cotidiana com suas águas. Ao apresentar essas histórias de resistência, a exposição propõe um olhar que vai além da degradação, reconhecendo o potencial de regeneração e os amanhãs ainda possíveis para esse território.

CONEXÕES INVISÍVEIS

Um dos eixos centrais desta exposição é revelar as conexões que estruturam a Baía de Guanabara. A baía se comunica com o oceano por meio de um canal, o que permite a renovação parcial de suas águas em ciclos regulares. Os manguezais funcionam como áreas de proteção e reprodução da vida marinha, desempenhando um papel essencial para o equilíbrio do ecossistema. Além disso, rios que nascem nas montanhas atravessam florestas, áreas urbanas, zonas agrícolas e regiões densamente povoadas antes de desaguar na baía. Ao longo desse percurso, carregam consigo tudo o que encontram. Assim, a exposição evidencia que o que acontece longe das margens da baía também se manifesta em suas águas.

UM TERRITÓRIO COMPARTILHADO

Os conteúdos apresentados convidam à reflexão sobre a responsabilidade coletiva na conservação da Baía de Guanabara. Preservar esse ecossistema exige uma visão integrada, que considere o ambiente natural, as cidades e as populações como partes inseparáveis de um mesmo sistema. Cuidar da baía é cuidar do território e das pessoas que dele dependem. A baía expressa escolhas feitas no passado e no presente. Esta exposição propõe pensar como novas escolhas podem contribuir para relações mais equilibradas entre sociedade e natureza.

EXPERIÊNCIA, CONHECIMENTO E FUTURO

Por meio de modelos, recursos interativos e experiências sensoriais, esta exposição busca tornar visível a complexidade ambiental, cultural e social da Baía de Guanabara. Ao integrar ciência, tecnologia e experiência, o Museu do Amanhã convida o público a refletir sobre seu próprio papel na construção dos futuros possíveis.

Conhecer a Baía de Guanabara, aqui, é um exercício de imaginação e responsabilidade. Ao compreender suas conexões e desafios, somos chamados a pensar que futuros queremos construir para esse território e para o planeta.