Laboratório Aberto

Estudo com Pv Dias

Nesta oficina de ilustração, o ponto de partida se estrutura a partir da série de trabalho do artista, intitulada “Disse-me-Disse”, em que pequenos e coloridos gigantes nos convidam a escutar as imagens do Rio Antigo em meio à efervescência e violência que este território atravessou.

Em diálogo com a exposição Oceano, no Museu do Amanhã, convidamos o artista PV Dias para o primeiro Laboratório Aberto. Amazônida e doutorando em Ciências Sociais (UFRRJ), PV trabalha com arquivos históricos para criar fabulações críticas e rasuras de narrativas em territórios colonizados.

Neste trabalho de PV, a noção de “cochicho” (termo de origem Bantu), curado por Ana Paula Rocha, Janaína Damaceno e Paulo Costa ao trabalho de PV, é definido por Nei Lopes como uma tecnologia de sobrevivência de corpos escravizados e dissidentes. Esse processo que PV propõe com a oficina reorienta o gesto de contar o arquivo: deslocando o que foi fixado na memória coletiva, ativando o que foi silenciado, produzindo outras leituras do visível.

Pv Dias

Pv Dias

Artista amazônico nascido no Pará e radicado no Rio de Janeiro, desenvolve sua prática a partir de múltiplas linguagens, como pintura, fotografia, vídeo e arte digital. Formado pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, é mestre e doutorando em Ciências Sociais pela UFRRJ. Sua pesquisa articula arquivos históricos, fabulações críticas e a rasura de narrativas em territórios colonizados. Em 2024, realizou sua primeira exposição individual em São Paulo, “Rádios-Cipós”, no CCSP, e integrou a primeira Bienal da Amazônia em 2023. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, e suas obras integram importantes acervos públicos nacionais.

As invasões da colonização e a modernização dos fluxos marítimos deixaram marcas sensíveis também no ecossistema da Baía de Guanabara. Há estudos que associam o ruído das embarcações, intensificado ao longo do século XIX, com o estresse da população de botos que viviam na região. Esses animais, que se comunicam através de um sistema complexo de sons subaquáticos, começaram a “gritar” mais para se comunicar, resultando em estresse na população marítima e sendo um fator simbólico para o declínio do boto-cinza (Sotalia guianensis) na região da Baía de Guanabara.

Entre memória, atenção e antecipação, PV propõe uma prática que transforma afetos e repertórios urbanos em imagem: um exercício de aproximação entre litorais, capaz de unir paisagens e alargar horizontes. Criando, na dinâmica da oficina junto aos participantes, visualidades que impactam.